quinta-feira, 24 de março de 2011
Lembranças
-Faço o que quiser, sai da minha frente.
Andei em sua direção, apenas esperando o momento em que ele sairia do caminho. Mas ele não saiu.
-Qual o problema? Nem te conheço, larga do meu pé.
Ele me olhou dos pés à cabeça e sorriu.
- Você realmente não lembra de mim?
O olhei com mais atenção dessa vez. Olhos cinzentos, barba por fazer e cabelos desgrenhados pelo vento. Lindo, a primeira palavra que surgiu na minha mente, mas não deixaria ele notar o que eu estava pensando. E é claro, não perderia a chance de ser sarcástica.
-Algum mendigo que um dia ajudei?
Dando um empurrão nele para abrir caminho, senti sua mão me puxando.
-Ah não brinca, Brubs. Não acredito que você não está lembrada!
Já estava começando a responder com palavrões quando ouvi meu apelido, parei de falar no meio de uma frase, com a boca aberta. Ainda bem que me recuperei rápido.
-Escuta aqui, cara. Não sei como você sabe meu nome e nem como me achou. Só me deixa em paz, tá bom? Cai fora.
-Não, não caio fora. Cansei de esperar, Brubs.
A próxima coisa que senti foram suas mãos fortes sobre meus braços e seu abraço me puxando para perto, com um movimento rápido sua boca encontrou a minha, deixando uma exclamação fraca no ar, dando lugar a um suspiro prazeroso.
Até cair a ficha. Com toda a força que ainda me restava, o empurrei.
-Tá doido? Qual é a sua?
- Ha ha. Bruna, nem acredito que pude fazer isso.
Parou de rir abruptamente e apenas disse:
-Sou eu, Marc. Seu vizinho, há 13 anos atrás. Agora lembra?
E ao dizer isso virou-se e foi embora.
Marc, aquele Marc. Eu, simplesmente, não podia acreditar que ele havia voltado.
Mariana Patrício Melo
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Alice e o Senhor Palito de Fósforo.

Alice estava brincando de explorar sua casa. Havia chegado a vez da cozinha.
Ela nunca explorava sozinha, estava acompanhada de seu melhor amigo: o ursinho de pelúcia Luca.
-Olhe só Luca! - Ela disse ao se apoiar na mesa. – Esse não é o prato mais lindo que você já viu?
Após colocar o prato no lugar, viu uma caixinha, menor que a sua mão, em cima da mesa e a abriu. Ela pegou um palito fininho de madeira com uma cabeça vermelha.
-Ei, Luca. Você já viu cabeça mais engraçada? Há há.
-Calma aí, mocinha! Não ria de mim. – exclamou o palito de fósforo. Ela se espantou de inicio, mas logo falou:
-Oh me desculpe, mas não sabia que você falava!
-É claro que falo. – falou ele. – E agora me diga, quem é você e de onde vem?
-Eu sou Alice, e moro aqui. Mas quem é você, eu pergunto, e de onde você vem?
-Ah eu sou o palito de fósforo, mas já fui uma grande árvore! E venho de longe, da floresta, claro.
Alice parecia não estar acreditando. – Você era uma árvore? Mas você é tão pequeno.
-Então deixe-me explicar: Eu era uma grande árvore, eu pesava mais de 125 quilos!
Alice soltou um “Oh” de surpresa e deixou sua imaginação fluir.
-Mas num triste dia vieram alguns homens e me cortaram! – Mais “Ohs” por parte de Alice. – Fui descascado e cortado em folhas por máquinas. Em menos de cinco minutos fui feito em milhares de palitos. – Continuou o fósforo em tom tristonho.
-Oh mas isso é muito triste! – exclamou Alice.
-Sim, é mesmo. Logo depois envolveram minha cabeça com essa touquinha e cá estou eu. Mas agora já acostumei em viver nessa caixa, com outros fósforos.
-Oh isso é bom. Apesar da triste história, aprendi muito sobre você.
-ALICE! – chamou o pai da porta. – Vamos visitar a vovó?
-Oh quase tinha me esquecido! Preciso ir Senhor Fósforo. Foi muito bom conhecer você, tchau.
-Tchau Alice!
Ela correu de encontro ao seu pai e se deram as mãos para sair.
-Com quem você estava falando, querida?
-Ah papai, você sabe que eu sempre converso com meu amigo Luca.
Ela lhe sorriu e saíram de casa.
Mariana Patrício Melo.
